Coagulação Sanguínea. O sangue é um componente necessário do corpo humano, já que é o responsável pela entrega de oxigênio aos tecidos e células. O organismo protege contra a perda de sangue através do mecanismo de coagulação. Mecanismos vasculares, plaquetas, fatores de coagulação, prostaglandinas, enzimas e proteínas contribuem para este mecanismo, atuando em conjunto para formar coágulos e impedir a perda de sangue.

Com a leitura deste artigo, compreenda os aspectos fisiológicos do mecanismo de coagulação, sua importância e os distúrbios que podem ocorrer neste processo.

Como Ocorre a Coagulação Sanguínea

O sangramento causa um “efeito dominó” biológico no qual uma série de etapas é acionada. Quando seu corpo detecta um sangramento, fatores de coagulação são ativados em uma ordem específica, (processo conhecido como cascata de coagulação), o que leva à formação de um coágulo sanguíneo.

Quando toda a cascata de coagulação funciona corretamente, o sangue mantém-se firme no local da lesão e o sangramento para. Pessoas que têm um distúrbio hemorrágico, no entanto, são incapazes de produzir coágulos fortes o suficiente.

Como um Coágulo Sanguíneo se Forma

Simplificando, o processo de coagulação faz com que o sangue passe de um estado líquido para sólido no local em que ocorreu uma lesão. Veja como o processo funciona:

  1. Lesão – Um ferimento na parede dos vasos sanguíneos (por exemplo, um corte na pele ou uma lesão interna) causa sangramento.
  2. Constrição do vaso – Para controlar a perda de sangue, o vaso sanguíneo se estreita, limitando o fluxo de sangue através do vaso.
  3. Plugue de plaquetas – Em resposta à lesão, pequenas células do sangue chamadas plaquetas são ativadas. Elas grudam umas nas outras e no local da ferida para formar uma espécie de tampão. O fator de proteína von Willebrand (VWF) ajuda as plaquetas a grudarem umas nas outras e na parede dos vasos sanguíneos.
  4. Coágulo de fibrina – Em seguida, as proteínas do fator de coagulação desencadeiam a produção de fibrina (uma substância forte e semelhante a um cordão que forma um coágulo, ou seja, uma rede parecida com uma malha que mantém o tampão firme e estável. Nos próximos dias a semanas, o coágulo se fortalece e depois se dissolve à medida que a parede dos vasos sanguíneos feridos se cura.

Distúrbios da Coagulação

Uma série de distúrbios de plaquetas pode interferir no processo de coagulação do sangue, aumentando a produção de coágulos ou então dificultando que eles se formem.

Distúrbios Hemorrágicos

Quando certos fatores de coagulação do sangue são deficientes ou ausentes em uma pessoa, o sangue não coagula como deveria e leva mais tempo para estancar o sangramento. Veja a seguir os principais distúrbios hemorrágicos:

  • Hemofilias – As hemofilia A e B são distúrbios de coagulação amplamente conhecidos, em que o sangue não coagula corretamente, resultando em excesso de hematomas e sangramento internamente.
  • Doença de von Willebrand – Pessoas com doença de von Willebrand podem não ter o suficiente da proteína VWF ou ela pode não funcionar corretamente. Assim, quando ocorre um sangramento, o sangue não consegue formar um plugue de plaquetas.

Estados Hipercoaguláveis

A coagulação normal é importante durante uma lesão, pois ajuda a parar o sangramento de um corte e inicia o processo de cicatrização. No entanto, o sangue não deve coagular quando está apenas se movendo pelo corpo. Quando isso acontece, a condição é chamada de estado hipercoagulável ou trombofilia.

Estados hipercoaguláveis ​​podem ser perigosos, pois apresentam um risco aumentado de coágulos sanguíneos nas artérias e veias.

Quando os coágulos sanguíneos se formam nas veias, podem percorrer a corrente sanguínea e causar trombose venosa profunda (TVP) ou embolia pulmonar (EP). Quando eles se desenvolvem nas artérias, aumentam o risco de acidente vascular cerebral, ataques cardíacos, dificuldade para caminhar, dor intensa nas pernas, ou mesmo a perda de um membro.

Gerenciamento dos Distúrbios da Coagulação

O tratamento bem-sucedido é possível – mesmo para emergências médicas potencialmente fatais devido a trombose ou hemorragias – se o paciente receber tratamento adequado no momento certo.

O acompanhamento com o médico cirurgião vascular é particularmente importante, no sentido de evitar complicações, gerenciar seus sinais e sintomas e também elaborar um plano para que sua condição não afete sua qualidade de vida.

Referência: American Society of Clinical Oncology