A trombose na gravidez não é rara e deve ser levada muito a sério, pois envolve a formação de coágulos sanguíneos nas veias, principalmente das pernas e da pelve, que podem causar complicações como a trombose venosa profunda (TVP) e, em casos mais graves, embolia pulmonar.

Continue a leitura deste artigo para entender como a trombose se manifesta na gravidez, quais são os riscos, os sinais de alerta e as formas de prevenção e tratamento, sempre sob o olhar especializado da Angiologia e Cirurgia Vascular.

O Que É Trombose

A trombose nada mais é do que um coágulo sanguíneo que interrompe o fluxo dentro de um vaso, seja ele uma veia ou uma artéria. A condição é categorizada pela área de ocorrência dentro do organismo humano.

Os principais tipos de trombose são a venosa, venosa superficial, venosa profunda, venosa renal e a trombose arterial. Durante a gravidez, a mulher está mais propensa a desenvolver a chamada TVP, conhecida também como trombose venosa profunda.

A Trombose Venosa Profunda

A TVP é um subgrupo da trombose venosa e ocorre quando um coágulo sanguíneo obstrui alguma veia profunda de áreas como a perna, pelve ou panturrilha.

Os principais sinais desse tipo de trombose são vermelhidão, inchaço e calor no local onde o trombo (coágulo) é formado. Mulheres grávidas têm até 6 vezes mais chances de desenvolverem a condição do que aquelas que não estão em período gestacional.

O Que Causa Trombose Gestacional

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A trombose gestacional pode ser resultado de alterações na circulação sanguínea, principalmente nos membros inferiores, causada pelo crescimento do útero. A condição pode ocorrer durante qualquer período da gravidez, incluindo os três primeiros meses e o puerpério (período pós-parto).

A diminuição do fluxo sanguíneo pode causar, além da vermelhidão e quentura no local, inchaço, dor e sensibilidade na parte interna das pernas, principalmente quando estiver em pé ou andando.

Fatores de Risco para Trombose na Gravidez

Além das mudanças próprias da gestação, alguns fatores aumentam ainda mais o risco:

  • Histórico pessoal ou familiar de trombose;
  • Trombofilias (distúrbios genéticos ou adquiridos que favorecem a coagulação);
  • Obesidade;
  • Idade materna acima de 35 anos;
  • Gravidez gemelar;
  • Cirurgias, como cesariana;
  • Longos períodos de imobilização;
  • Varizes volumosas e insuficiência venosa crônica;
  • Uso de hormônios (em alguns tratamentos de fertilidade);
  • Tabagismo.

Quando há a combinação desses fatores, o risco se eleva de forma significativa e exige acompanhamento rigoroso.

Sinais e Sintomas de Trombose na Gravidez

Os principais sintomas da trombose venosa profunda (TVP) incluem:

  • Inchaço súbito e persistente em uma das pernas (geralmente, mais evidente na panturrilha ou na coxa);
  • Dor ou sensação de peso na perna, especialmente ao caminhar ou ficar em pé;
  • Vermelhidão e aumento da temperatura local;
  • Veias mais visíveis ou endurecidas.

Em alguns casos, a trombose pode ser silenciosa e só se manifestar quando ocorre uma complicação, como embolia pulmonar, que se apresenta com:

  • Falta de ar súbita;
  • Dor no peito;
  • Palpitações;
  • Tontura ou desmaio.

Diante desses sinais, a busca por avaliação médica urgente é essencial.

O Diagnóstico

O diagnóstico da trombose em gestantes é realizado por meio de avaliação clínica e exames específicos. O principal exame é o Doppler venoso de membros inferiores, que permite visualizar o fluxo sanguíneo e identificar coágulos nas veias.

Em casos de suspeita de embolia pulmonar, podem ser necessários exames complementares, como:

  • Angiotomografia de tórax;
  • Gasometria;
  • Ecocardiograma.

O acompanhamento com um angiologista ou cirurgião vascular especializado é fundamental.

Riscos da TVP

Ao ser diagnosticada com trombose venosa profunda, a mulher é orientada sobre os riscos que essa condição pode acarretar à sua saúde. Um dos pontos mais graves da doença é que o trombo pode se romper e viajar por meio da corrente sanguínea. Essa migração faz com que o coágulo sanguíneo se aloje em outros lugares do corpo, como o pulmão, originando quadros de embolia.

Os riscos de desenvolvimento da condição podem aumentar se a mulher tiver mais de 35 anos, já for mãe de três ou mais bebês, teve histórico anterior de trombose ou trombofilia, faz o uso de cadeiras de rodas, têm quadros de varizes graves ou outra condição médica relacionada a doenças cardíacas, pulmonares ou artrite.

Tratamento e Prevenção da Trombose na Gravidez

O tratamento da trombose na gravidez é seguro e eficaz quando iniciado precocemente. Consiste, principalmente, no uso de:

  • Anticoagulantes seguros para gestantes, geralmente à base de heparina de baixo peso molecular, que não atravessa a placenta e não prejudica o bebê;
  • Meias de compressão, que ajudam no controle dos sintomas e na prevenção da progressão da trombose;
  • Repouso relativo nas fases agudas, seguido de incentivo à mobilização progressiva.

O tratamento é mantido durante toda a gestação e, na maioria dos casos, por pelo menos seis semanas após o parto, período em que o risco permanece elevado. Já a prevenção é uma das estratégias mais importantes, especialmente para mulheres que possuem fatores de risco, sendo que as principais medidas incluem:

  • Uso de meias de compressão elástica, recomendadas pelo angiologista;
  • Evitar longos períodos sentada ou deitada; sempre que possível, movimentar as pernas;
  • Praticar caminhadas leves, conforme orientação médica;
  • Controle do peso durante a gestação;
  • Hidratação adequada;
  • Avaliação precoce de histórico familiar de trombose ou trombofilias;
  • Uso de anticoagulantes preventivos, quando indicado.

O acompanhamento conjunto entre obstetra e angiologista/cirurgião vascular faz toda a diferença na prevenção e no manejo dos riscos. Para mais informações, consulte seu médico de confiança, somente um profissional capacitado estará apto a fazer seu diagnóstico.

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